quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Crise dos EUA, crise do capitalismo.

A crise econômica que ataca a maior potência econômica mundial pode, no entanto, amedrontar o mundo, mas não surpreender.
Com suas origens no setor imobiliário, como uma crise no pagamento de hipotecas, as quebras e os problemas enfrentados por bancos até então considerados importantes e sólidos geraram o que se chama de "crise de confiança". Num mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular, quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça. Isso fez cair e encarecer o crédito disponível e limita o desenvolvimento de outros setores da economia, que dependentes de crédito, têm suas atividades estagnadas e, consequentemente a de toda economia.
Como o capitalismo é um sistema que necessita de uma rede de setores, grupos ou pessoas dependentes entre si, onde uma maioria deve ser desprovida de capital para assim sustentar os que estão na situação oposta; no caso de um desses elementos se retrair, irá ocorrer uma crise geral no qual um leva todos os outros para o mesmo caminho, como numa espécie de efeito dominó, onde uma única peça que cai, tem o poder levar milhares à queda.
Hoje com a economia globalizada em que acontece uma constante troca de mercadorias, serviços, capital e moeda em grande escala, se alguém entrar em colapso, outros mesmo que geograficamente ou até mesmo economicamente distantes, também sofrerão suas conseqüências, como é o caso que vivenciamos atualmente.
Desde a formação do capitalismo após o fim do feudalismo na Europa, e principalmente com a Revolução Industrial na Inglaterra em quem ele afirmou-se, esse sistema econômico passou por diversas crises, na maioria delas não por motivo de escassez de capitais ou de mercadorias, mas sim pelo excesso de produtividade, tal como foi a Crise de 29, cujas exportações dos EUA reduziram-se drasticamente, pois a Europa já não era mais sua principal consumidora, o que ocasionou a quebra da Bolsa de Valores de Nova York.
Que todos sentem e sofrem com uma crise dessas proporções é totalmente indiscutível. Por outro lado sabe-se que se chega a determinados períodos em que ela torna-se praticamente inevitável devido ao inchaço econômico atingido. Uma crise porém é momentânea e o mundo, apesar dos seus efeitos, tem condições de superá-la. Através dela toda a economia, agora global, pode se reorganizar e se reestruturar.
Ela pode representar um momento em que alguns possam ter a oportunidade de ocuparem um espaço antes inatingível e de outros curvarem-se e aceitarem-se como falíveis e passageiros. Quem sabe não seja esse os EUA que veremos em breve.
Marcelo Augusto da Silva - 17/10/08

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tucano: uma espécie ameaçada de extinção

De tanto ver imperar a incompetência e o descompromisso dos governos do PSDB, o brasileiro reafirmou sua consciência e assim como nas eleições de 2004, deu um outro basta às suas administrações. Os resultados da última eleição municipal provaram novamente que o eleitor não é tão cativo quanto a extrema direita brasileira o julgava ser, já que como mostraram as urnas a maioria das prefeituras vão ser administradas por outros partidos.
A política neoliberal, o estado mínimo, o desrespeito com o cidadão e a soberba daqueles tucanos que ocupam os cargos públicos, pelo que vimos, já estava sufocando os que dependem dos serviços públicos e os pertencentes às chamadas classes média e baixa. Na conjuntura da situação em que chegamos não dava mais pra se suportar os representantes desse partido.
São José do Rio Pardo felizmente não foi uma exceção. Embora não tenha elegido um partido de ideologia social como o PT, apesar do número de votos expressivos que o candidato petista alcançou mesmo com todas as dificuldades enfrentadas em sua campanha, principalmente numa cidade como a nossa em que muitos ainda mantém um pensamento preconceituoso, a vida pública de São José já não é mais de exclusividade de alguns. Sendo assim o futuro rio-pardense foi salvo uma vez que o eleitorado provou que os tucanos não têm cadeira permanente na prefeitura, que a cidade não lhes pertence, e que dinheiro não se compra a opinião nem o pensamento de ninguém.
Após anos de governo peessedebista e todo o atraso a qual foi submetida a nossa cidade, podemos agora sonhar com uma possibilidade de mudança. Espera-se com essa eleição a renovação em todos os seus sentidos, a aproximação entre o executivo e a população e medidas que coloque São José, uma cidade com grande potencial, no caminho do desenvolvimento.
A vitória esmagadora do candidato eleito demonstrou que há possibilidade de mudança, embora essa não represente, de fato, uma ruptura devido às coligações formadas – ao contrário do petista que com a sua determinação optou por disputar o pleito com a pureza de seu partido e de sua ideologia. Ela representa sim o fim de todo domínio de um grupo ao qual São José do Rio Pardo estava sujeito há décadas, tendo em vista que quando certos figurões não estavam efetivamente no cargo, estavam comandando nos bastidores com todo aquele jogo que bem conhecemos.
A partir de agora viveremos, enfim, um momento de prosperidade, de novos ares a serem respirados, e de uma sensação de alívio ao nos vermos livres do coronelismo. Também será um tempo de exigirmos aquilo que foi prometido para que de novo não caiamos na armadilha a qual durante muito tempo estivemos presos.
Marcelo Augusto da Silva - 10/10/08

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Morte à memória rio-pardense

Nessa semana foi anunciada a demolição do antigo casarão do Artese, uma construção que compunha junto com o prédio do Mercado uma referência histórica do nosso município. A notícia foi lamentada por muitos, inclusive por aqueles que não são muito ligados a assuntos como preservação, história ou urbanismo. Sendo assim o velho prédio da família Artese tem seus dias contados.
Depois de muita polêmica e muita discussão acerca de seu destino e sobre a sua resistência, foi decidido enfim a solução final - embora ele será substituído por outro prédio que preservará suas dimensões e sua fachada original. Uma construção que causava fascínio a inúmeros rio-pardenses e visitantes terá o mesmo destino de outras tantas na nossa cidade, ou seja, a demolição.
É inegável o valor histórico do casarão do Artese. Os mais leigos no assunto de longe notam o valor que a obra tem para a memória da cidade, fato que dispensa qualquer avaliação ou certificação técnica.
Por outro lado, tendo em vista os tantos outros prédios e casas que foram transformados em entulho, não é de se estranhar que nada foi feito durante todos esses anos de abandono do casarão para que suas estruturas não sofressem avarias ou para que ele tivesse sido preservado. Quando os órgãos competentes foram criados ou quando eles agiram já havia algo comprometido na obra. O mesmo aconteceu com várias obras que em nome do progresso e da especulação foram desaparecendo da nossa cidade, dando lugar a prédios de linhas retas e fachadas transparentes como o único propósito de expandir a atividade econômica.
É possível adequar-se aos tempos sem soterrar o passado. É possível unir desenvolvimento e história. Porém é impossível aceitar que não se discuta soluções que não priorize somente alguns grupos. O espaço deixado pelo casarão do Artese jamais será preenchido.
É inaceitável não se pensar em deixar o passado vivo para os que aqui viverão e construirão as suas vidas; passado que presenciou momentos marcantes como a Proclamação da República antecipada, o nascimento de Os Sertões, a Revolução de 1932, além do período glorioso da produção cafeeira que fez nossa cidade germinar e que por mais que alguns lutem para manter esse passado presente, outros tantos conseguem que ele se perca.
Ambigüidade é o termo correto para classificar a postura de nossa cidade já que ao mesmo tempo em que se tenta transformá-la em um pólo turístico, não se preserva a sua memória.
Quem sabe a partir desse ocorrido se ponha um fim na onda de devastação que nossa arquitetura vem sofrendo há décadas, embora seja tarde demais, pois o que sobrou foi uma construção ou outra. Ou quem sabe então isso aos poucos vá mudando o pensamento de boa parte dos rio-pardenses e que eles passem a valorizar aquilo que vai muito além do material.
Se assim for as obras hoje construídas possam ser mantidas num futuro e aqueles que lá viverem terão a oportunidade de saber como eram os nossos dias.
Marcelo Augusto da Silva - 02/10/08

sábado, 27 de setembro de 2008

O cinismo do Estado

“O Estado é a negação da humanidade!”
Mikhail Bakunin, principal expoente do anarquismo


A política neoliberal implantada no começo da década de 1990 nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento - onde se inclui o Brasil - como parte de um “acordo” entre os países ricos do chamado 1º mundo e de organizações financeiras internacionais, desmantelou toda a estrutura e o funcionamento dos serviços sociais que até então existiam ou funcionavam de alguma forma.
Desobrigou-se então o Estado, com o consentimento dos governos de direita que se elegeram desse período, de dar a devida atenção a setores que eram de sua responsabilidade como saúde, educação, segurança, etc. Em outros termos a nova ordem é a de que se o cidadão deseja ter alguns desses serviços ele deve arcar com a sua despesa, pagando o seu devido preço a uma empresa privada que o preste.
Se então o Estado não garante mais nenhum serviço de qualidade, até quando fingir que ele tem o compromisso com eles? Como na educação que há muito tempo empurram os alunos de série em série; como na saúde com os hospitais e suas filas intermináveis e com o descaso de muitos profissionais da saúde, principalmente dos grandes centros, onde a única certeza que o usuário tem é a de que não vai ser atendido de uma forma rápida, eficiente e digna; como na segurança onde a falta de investimento deixa a polícia despreparada e sem equipamento, abrindo espaço para as empresas de segurança particular; sem falar da burocracia estagnada, truncada e moribunda dos serviços públicos, como é o exemplo da justiça, que transforma o contribuinte que dela necessite num refém de sua intransigência.
Com todo esse descaso acontecendo o governo sempre tenta passar a mensagem de que tudo está regularmente funcionando, com toda a qualidade merecida, sempre se utilizando de números forjados e propagandas enganosas. Mesmo com muita gente vendo que o serviço público não funciona, que não há investimento nele e que de comum acordo ou não, as empresas privadas se aproveitam para entrarem em cena, o Estado com todo o cinismo insiste em dizer que acontece justamente o contrário.
Já passou da hora do Estado assumir sua posição de ineficiência e escancarar de vez a verdade. Deixar de lado a hipocrisia e mostrar os fatos tais como são na realidade. Chega de jogar a sujeira debaixo do tapete e pensar no povo como um ser ignorante, desprovido de visão crítica onde é fácil manipulá-lo e ludibriá-lo com mentiras travestidas de verdades. Há tempos o Estado deixou de ser mãe; hoje ele não é nem de longe uma madrasta megera.
Se a população já não mais engole muita coisa assim como foi no passado e se hoje o consenso preza tanto a sinceridade quanto a lealdade, um bom exemplo deveria vir do Estado e ele se mostrar ao povo quem é de fato. Já que todas as decisões governamentais têm um rumo vertical, ou seja, são de cima para baixo apesar dos mecanismos democráticos que possuímos, a verdade deveria acompanhar todas as artimanhas que o Estado tem se utilizado para tirar cada vez mais o corpo fora e deixar que o setor privado se sinta a vontade para lucrar em cima do cidadão.
Se isso acontecesse de fato a chaga deixada pelo Estado talvez não aumentasse mais, e aqueles que ainda não enxergaram o estorvo que ele é abrissem mão de vez dele, e quem sabe um dia ele até deixasse de existir, assim possivelmente as coisas funcionariam melhor, já que a sua única função é arrecadar cada vez mais impostos do contribuinte e não reverte-lo em seu benefício.
Marcelo Augusto da Silva - 27/09/08

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

As distâncias ainda existem


Já no início da formação das primeiras civilizações havia um distanciamento de um povo em relação a outro devido ao seu desenvolvimento, o que gerava certo preconceito nas relações de um com o outro. Um povo que estivesse num nível de organização dito “mais avançado” desprezaria e subjugaria aquele que ainda não o tivesse atingido, ou então aquele que já dominasse algumas técnicas, recursos ou mesmo estratégias também se comportaria dessa forma.
O Brasil na época da chegada dos portugueses iniciou a sua vivência nessa situação e desde já de um modo bem agressivo, pois os nativos estavam no caso num nível de organização social diferente comparado ao dos portugueses, além de que eles possuíam uma cultura também muito diferente.
Devido a essa diferença entre os dois povos, o português se julgou superior aos primeiros habitantes de nossa terra e serviu-se desse pensamento para promover uma matança contra o elemento indígena. Esse caso figurou como um dos mais cruéis preconceitos, pois além de não se respeitar, nem muito menos valorizar a cultura do índio, não se respeitou o seu próprio direito à vida.
Se o índio não conhecia certos aparatos ou não detinha o conhecimento já adquirido pelo branco não significava que ele fosse incapaz, mas sim que seu estágio evolutivo não lhe proporcionava as condições necessárias para que ele concebesse algo ligado a certo conhecimento; ou então indo mais longe, o índio não havia a necessidade de criar e utilizar todas as quinquilharias do europeu porque o seu modo de vida não exigia de nada além do que ele tinha, não significando também que ele era intelectualmente inferior.
Ainda sobre o caso específico dos índios cabe aqui dizer que dentro da sua simplicidade ele se mostrou, e ainda se mostra, totalmente superior (agora com toda a justiça do termo), pois ele não possui os valores nocivos e destrutivos e nem comete as atrocidades injustificáveis típicas da sociedade branca.
Assim como no passado hoje essas diferenças e intolerâncias entre comunidades e etnias ainda permanecem, chegando em alguns casos acontecer dentro de um mesmo grupo, e apesar de tantos esforços e de tanta discussão em torno do assunto o preconceito, a não aceitação e a exploração do outro ainda é latente.
Enquanto determinados segmentos da sociedade se interagem com o mundo graças à tecnologia e dominam vários recursos técnicos que lhes trazem lucro e conforto, vemos comunidades que ainda não foram inseridas nem num sistema educacional que lhes ofereçam a oportunidade de uma alfabetização e que nem de longe têm algum contato com a tecnologia e os seus benefícios, colocando-as numa distância muito grande em relação à outros grupos, aprofundando ainda mais o abismo social.
Por viverem dessa forma, embora isso não caracterize nenhuma desvantagem ou prejuízo, essas pessoas vão ficando à margem da sociedade, chegando a tornarem-se massa de manobra da elite social e também sendo aproveitas de alguma forma por aqueles que estão na outra extremidade para se manterem ainda mais no domínio.
É o caso do Brasil onde já não há mais a morte de quem usa a flecha por aquele que usa a pólvora, mas quem não sabe ler nem escrever ou é morto lentamente ou então serve para enriquecer ainda mais aqueles que estão conectados dia e noite via satélite.
Marcelo Augusto da Silva - 18/09/08