quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O incômodo Cesare Battisti

De tempos em tempos a mídia acha um motivo e volta a tratar o comunismo como sendo algo maléfico e extremamente perigoso, tal como era no período da Guerra Fria, em que essa estratégia era usada abusivamente pelos capitalistas.
A concessão de status de refugiado político ao escritor e ativista italiano Cesare Battisti dada pelo Ministro da Fazenda Tarso Genro reacendeu novamente o exorcismo ao comunismo. Battisti foi membro do grupo de esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo) na década de 1970 e torno-se um foragido político ao abandonar o grupo por ele direcionar-se para a luta armada, optando assim o escritor por buscar outras formas de atuação. A Itália tenta acusá-lo assassinato de quatro membros de seu grupo por terem assumido posições contrarrevolucionárias.
Sem entrar no mérito de julgamento do indiciado, o que causa indignação não é somente o caso do Brasil aceitar um refugiado em seu território, mas sim isso se tornar gravíssimo pelo fato dele ser um comunista e as responsabilidades caírem sobre o ministro, apontando-o como favorável ao italiano por ser um adepto também da causa comunista. Genro após estudar exaustivamente o caso concluiu que faltam provas suficientes para condená-lo, pois a única testemunha existente é um integrante do PAC que entregou Cesare Battisti para se enquadrar no plano de delação premiada e por este estar atualmente vivendo em local desconhecido e com identidade trocada.
Que o Brasil é um pais de criminosos não é novidade para ninguém; dizer que o italiano - se for provada a sua culpa - será mais um entre tantos outros é totalmente verdadeiro, mas agravar a situação com a falsa afirmativa de que o ministro é tão comunista quanto ele, sem assumir que no fundo esse é o problema maior, ou seja, o crime seria ser comunista, é que torna a questão um tanto quanto bizarra.
O Brasil sempre foi refúgio de assassinos desde o momento da chegada dos portugueses que aqui deixavam os criminosos, os condenados e degredados e sendo assim perpetuou essa ”tradição” até os nossos dias. É tão cheio de assassinos como aqueles do colarinho branco, membros da classe privilegiada que se beneficiam de seus confrades, padrinhos e corruptos que ocupam altos cargos na justiça; tão criminosos como os militares de várias patentes, assassinos públicos que mataram centenas durante a ditadura militar e que hoje convivem tranquilamente e descaradamente no nosso meio beneficiados pela Lei de Anistia, que não sem querer foi criada por eles mesmos.
Aliás, esses militares são uma espécie de assassinos que Tarso Genro tentou enquadrá-los na lei, mas que outra vez esbarrou no empecilho da ideologia, pois quando tentou quebrar a tal Lei de Anistia - que não permite que os torturadores sejam incriminados - e abrir os arquivos da ditadura para penalizá-los como criminosos, sofreu vários tipos de acusações e protestos, chegando ao ponto do presidente - que se dizia tão intolerante à tortura e à ditadura – pedir para que ele abandonasse essa idéia.
Provavelmente essa marca negativa forjada ao comunismo e carregada por ele ainda vai durar muito tempo. O jogo baixo da direita em atacar, agredir e incutir falsa culpa no seu oponente para esconder os seus defeitos não foi por ela esquecida. Talvez seja ingênuo pensar que a disputa entre as duas correntes ideológicas tenha terminado no final da década de 1980; ao menos é o que parece quando vemos as reações que acontecimentos como este causam em determinados grupos, onde alguns tremem de pavor e outros esperneiam de raiva. Talvez o incômodo maior seja a proposta comunista ainda estar viva e que uma hora ou outra ela possa achar um espaço, não somente um refugiado político comunista isolado
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Marcelo Augusto da Silva - 06/02/09

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A origem do conflito entre Israel e Palestina Parte II

A partir do momento em que os árabes muçulmanos não aceitaram a divisão de seus territórios, Israel, o recém criado Estado, invade as áreas palestinas num conflito que em que ele sai vencedor. Após essa guerra houve mais outras três, todas com desfecho favorável a Israel, militarmente mais forte e que hoje conta com o apoio de países também militarmente fortes, como os EUA, seu fiel parceiro.
Além de ser belicamente superior, Israel possui uma característica expansionista e racista, principalmente no que diz respeito à religiosidade, embora os árabes também defendam arduamente seus dogmas. Com as quatro guerras entre Israel e Palestina o resultado foi um expressivo aumento de território judeu, todos decorrentes de invasões a áreas ocupadas pelos muçulmanos, e que mesmo com uma determinação de devolução dessas terras dada pela ONU, o país recusou-se a atender.
Diante de tantos conflitos e atrocidades praticados entre os dois povos, várias tentativas de acordos de paz foram feitas a partir do final da década de 1970, boa parte delas com a intermediação de outros países. Denominam-se tentativas de paz porque nunca foram efetivamente consolidadas, algumas por parte da própria população que não as aceitavam por serem negociações feitas somente entre seus líderes e não sob consulta das respectivas nações; outras por conta de radicais e extremistas, cada qual defendendo seu lado, onde israelenses afirmam que não se negocia com árabes, pois são todos terroristas, e os árabes que justificam suas posições dizendo que Israel não deveria ser reconhecido como estado e sim combatido até a sua derrota final.
Em meio a essa confusão generalizada que se tornou o Oriente Médio, ao analisá-la por um ângulo imparcial e independente de qualquer manipulação, pode-se chegar ao consenso de que a Palestina pertence aos dois povos, e que, portanto não é de exclusividade dos judeus, o que torna a sua ação autoritária, truculenta e xenófoba num dos maiores crimes da atualidade.
Se judeus foram expulsos e massacrados durante séculos, os árabes não têm nada a ver com esse fato, e sendo assim não tira o direito deles exigiram seus territórios de volta e na forma de um estado independente. Além do mais se o ocidente tem um peso na consciência em relação ao que foi feito aos judeus, os palestinos não podem ser responsabilizados.
Tudo isso poderia ser resolvido se fosse criado um estado israelense e um palestino, independentes e reconhecidos internacionalmente, que garantisse principalmente aos árabes as suas terras, e colocasse Jerusalém como sendo uma área internacional, já que a História provou que a cidade não pode ser de exclusividade daqueles que a tem como sagrada. É lógico que na prática não é bem assim que essas questões são resolvidas, mas o que impede, principalmente, a sua efetivação são a intransigência e o despotismo israelense, reforçado pelo apoio irrestrito de vários líderes, além do controle que eles exercem sobre boa parte da mídia, a qual não divulga a barbárie praticada contra os árabes, interferindo assim na opinião popular.
É mais um caso de posse, de propriedade e de exercício de poder de um sobre outro que infelizmente inocentes pagam por isso com suas vidas.

Marcelo Augusto da Silva - 28/01/09

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A origem do conflito entre Israel e Palestina Parte I

A região da Palestina é o palco da eterna guerra a qual assistimos nesses dias. A mídia televisiva divulga os fatos mais preocupada em veicular as atrocidades do que informar e esclarecer o que acontece naquele local, tampouco procura avaliar quem está ou não com a razão.
Habitada pelos povos semitas, inicialmente os judeus ou hebreus (primeiro povo a adotar o monoteísmo), a região sempre foi alvo de invasão de outros povos. No ano 136 da Era Cristã Roma é a invasora, o que provoca a fuga dos judeus pelo mundo para salvaram-se dos ataques romanos, num movimento conhecido como diáspora (dispersão). Sem a sua terra de origem os judeus são obrigados a vagarem pelo mundo tentado se instalarem em outros lugares e serem aceitos em outras nacionalidades, sempre sofrendo, é claro, todo o tipo de preconceito. Sem uma terra para garantir-lhes o sustento, os judeus dedicam-se ao comércio, única atividade disponível a eles; isso explica a habilidade que eles detêm sobre as relações comerciais. A forte tradição, cultura e religiosidade judia os mantiveram unidos, mesmo estando cada porção espalhada pelo mundo; se não fosse essa característica, certamente o povo judeu teria sido extinto em pouco tempo.
Após um longo período da invasão romana na Palestina os árabes ocupam a região a partir da expansão islâmica, no século VIII e ali permanecem. Apesar de monoteístas os povos judeus e árabes, possuem culturas, hábitos, ritos tradições e crenças totalmente diferentes, o que naturalmente os tornam adversos um ao outro.
Um outro momento da História em que os judeus são vítimas é a Segunda Guerra Mundial, na qual Hitler e sua ideologia nazista os responsabilizam pela crise que a Alemanha enfrenta na década de 1930. Reforçado pelas idéias racistas do nazismo os alemães promovem a perseguição, a prisão e a morte desse povo, que fica sendo denominada como Holocausto, cujo saldo final totalizou na morte de quase seis milhões de judeus europeus. O próprio massacre contra os judeus provoca um movimento de emigração judaica - não só da Europa, mas também da Ásia e da África - para a Palestina. No entanto nessa ocasião defrontam-se com os árabes, que são denominados agora genericamente de palestinos.
Terminada a Guerra com a vitória dos aliados, a comunidade internacional se comove com as atrocidades promovidas contra os judeus, gerando a necessidade de se resolver a questão judaica, ou mais precisamente, a necessidade se livrarem desse problema. Em 1948 a ONU cria então o Estado de Israel nas áreas ocupadas pelos judeus e o entrega a eles. Porém nessa decisão foi esquecido um detalhe muito mais do que significativo: o recém criado Estado de Israel integrava áreas habitadas pelos árabes desde a já citada expansão islâmica, que logicamente não aceitaram tal determinação.
Na tentativa de resolver o problema foi criado um outro ainda maior, pois não se respeitou um outro povo que ali estava instalado. O que seria justo era a intervenção internacional naquele momento e a criação de um estado judeu que respeitasse os limites da ocupação árabe. Na mesma proporção em que os árabes não aceitaram a criação de um estado que partilhava suas terras, os judeus seguiram à risca a demarcação da ONU e expulsaram os árabes de suas terras, devolvendo o mesmo tratamento que foi dado a eles no passado a um outro povo.
Esse é apenas o estopim de um conflito de enormes proporções e que já dura mais de meio século. É claro que a problema vai se desdobrando e nele há muitas outras questões envolvidas, o que acaba resultando em grandes dificuldades de resolução do problema.

Marcelo Augusto da Silva - 20/01/09

domingo, 28 de dezembro de 2008

As comemorações de ano-novo

A tão esperada e popular festa de final de ano, chamada também de Reveillon, é comemorada de várias formas pelo mundo, variando de acordo com a cultura e as tradições de povos e países. Apesar das diferenças a festa apresenta uma característica comum a todas, que é o espírito de renovação, e o momento de esperança, de promessas e sonhos que poderão se concretizar.
As variações da comemoração do ano-novo acontecem devido também à diversidade de calendários que existem no mundo. Para os islâmicos o ano-novo é celebrado em meados de maio, marcando um novo início. A contagem corresponde ao aniversário da Hégira (em árabe, emigração), cujo Ano Zero corresponde ao nosso ano de 622, pois nesta ocasião, o profeta Maomé, deixou a cidade de Meca estabelecendo-se em Medina. A comunidade judaica também tem um calendário próprio e sua festa de ano-novo ou Rosh Hashaná, - "A festa das trombetas" -, dura dois dias do mês Tishrê, que ocorre em meados de setembro ao início de outubro do calendário gregoriano (nosso calendário). Na China, a festa da passagem do ano começa em fins de janeiro ou princípio de fevereiro. Durante os festejos, os chineses realizam desfiles e shows pirotécnicos. No Japão, o ano-novo é comemorado do dia 1º de janeiro ao dia 3 de janeiro.
O nosso calendário é originário dos romanos com a contagem dos dias, meses e anos. Desde o começo do século XVI, o ano-novo era festejado em 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de Abril. O Papa Gregório XIII instituiu o 1º de Janeiro como o primeiro dia do ano, mas alguns franceses resistiram à mudança e quiseram manter a tradição. Só que as pessoas passaram a pregar peças e ridicularizar os conservadores, enviando presentes estranhos e convites para festas que não existiam. Assim, nasceu o Dia da Mentira, que é a falsa comemoração do Ano Novo.
Embora sendo comemorado em várias datas, os rituais realizados no Reveillon são os mesmos praticados em muitos países como a queima de fogos, utilizada no mundo inteiro, que recebe o ano-novo entre fogos de artifício, buzinadas, apitos e gritos de alegria. A tradição é muito antiga e, dizem, servir para espantar os maus espíritos. Em meio a essa agitação as pessoas reúnem-se para celebrar a festa com muitos abraços. Há também na cena da passagem de ano o vestuário, em que o fato de vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o espírito de renovação do Ano Novo. O costume é universal e aparece em várias versões, como trocar os lençóis da cama e usar uma roupa de baixo nova. Já a cor da roupa é praticamente obrigatório o uso do branco, que simboliza a paz, a harmonia e a esperança que se deseja conquistar a partir desse dia.
Não importando a forma ou a data de sua comemoração, o Ano Novo representa o fim de um ciclo e o início de outro. Festejado de uma maneira sadia e sem excessos ele serve como uma inspiração para todos promoverem mudanças e planejarem melhor seus dias.
Marcelo Augusto da Silva - 02/01/09

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Uma sapatada contra a tirania


“A democracia fundada sobre a igualdade absoluta é a mais absoluta tirania”
Cesare Cantú

Desde que os EUA invadiram o Iraque em 2003 sob a justificativa mentirosa que a intervenção era necessária porque Saddam Hussein, o ditador que controlava o país, possuía armas de destruição em massa, o país e a sua população foram subjugados e colocados num nível de subserviência e total controle. Em outras palavras foi tirado um ditador e colocado outro em seu lugar, este travestido de bom moço, que camufladamente dá as cartas no país.
É bom lembrar que a presença estadunidense no Iraque acontece devido aos poços de petróleo iraquianos, importantíssimos para o país do Tio Sam, totalmente dependente dessa fonte de energia. Por conta disso os EUA passaram por cima da determinação da ONU, entraram no território estrangeiro e lá permanecem, impondo o seu modo de vida e barbarizando o país.
Hussein foi enforcado de acordo com a sentença de um tribunal especial no Iraque, acusado de crimes de guerra e genocídio contra os curdos, minoria étnica que habita o Iraque. Se um líder é condenado pela morte de várias pessoas, porque Bush não se enquadra então nessa mesma categoria e não é também julgado pelo Tribunal Penal Internacional, uma vez que só a invasão ao Iraque resultou até agora na morte de 90.000 civis iraquianos, além do fato dos soldados americanos promoverem uma carnificina contra a população cometendo assassinatos com os mais altos requintes de crueldade, torturas, estupros, violação e sodomização de adultos e crianças; sem contar nos órfãos e viúvas que padecem a cada dia, condenados assim como todos a minguarem numa situação de caos, miséria e insegurança.
A atitude do jornalista Al Zaidi no domingo dia 14 certamente entrou para a História - não aquela contada através de uma minoria como é o caso de certos figurões que sempre são lembrados e exaltados pelo quase nada que fizeram - mas sim pela maioria, não apenas de seus conterrâneos, mas por todo um conjunto de pessoas do mundo que penam com a dominação estadunidense. Domínio que penetra sorrateiro e disfarçado através das formas mais baixas e nojentas como a dependência econômica, a dominação cultural e a imposição de seu modo de vida fútil, insano, frustrado e frágil que se mostra agora refém de si próprio devido à crise que afeta o país.
Al Zaidi é o tipo de pessoa que honra a própria origem humana, que desafia as ordens impostas, que demonstra abertamente a sua posição e nela se fortalece; ergue sua própria bandeira e enfrenta destemidamente um grupo de pessoas que descende de uma espécie vil e rastejante acostumada a se julgar superior. Por menor que sua atitude possa parecer ela é digna de alguém com princípios morais que não se curva perante o autoritarismo e a exploração de um povo cujo líder não passa de um tirano arrogante, mesquinho e demente.
Pequena no gesto, mas grande no seu significado, a sapatada do jornalista contra Bush, que segundo a tradição local é a maior ofensa contra uma pessoa, mostra que nem todos se retraem diante dos estadunidenses. Ela acima de tudo simboliza o quanto insatisfeita e contrariada está boa parte da população mundial, e que com o tempo e de uma maneira decente e pacífica este estágio poderá se inverter. É a flor vencendo o canhão.
Marcelo Augusto da Silva - 26/12/08