Imagine there's no countries/It isnt hard to do
Nothing to kill or die for/No religion too
Imagine
all the people/ living
life in peace...
Imagine John Lennon
Recentemente
assisti a uma entrevista com Abdel Bari Atwan, jornalista palestino radicado em
Londres, o qual de tanto trabalhar com o tema da questão árabe, tornou-se um
especialista no assunto. Conhecido por entrevistar o líder da Al Qaeda, Bin
Laden, e por passar três dias na companhia do terrorista nas cavernas do
Afeganistão para realizar esse trabalho, atualmente Abdel é uma referência no
que diz respeito ao Oriente Médio.
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O Jornalista palestino Abdel Bari Atwan |
Em determinado ponto da entrevista,
o jornalista afirmou que o Brasil é um modelo de convivência a ser seguido nos
países em que ocorrem conflitos religiosos, pois aqui coexistem pacificamente
vários grupos de orientações religiosas distintas, em que, basicamente, impera
a tolerância e a harmonia. No entanto, na prática, é complicado estabelecer a
outros povos o padrão de comportamento dos brasileiros - mesmo que isso seja
feito no plano da referência, e não da imposição como afirma o próprio
jornalista - uma vez que a formação do país, bem como a de seu povo, foi
totalmente diferenciada daqueles do Oriente Médio que sofrem com os conflitos religiosos.
Obviamente essa não é uma forma prática e eficiente para resolver as
diferenças, levando em conta a tradição, a ideologia e o fundamentalismo
religioso desses povos.
Durante alguns dias fiquei pensando
nas palavras do jornalista e questionando se ele seria utópico demais em sonhar
com uma convivência pacífica diante de séculos de desentendimento e
intolerância religiosa, ou seria ele realista a tal ponto de querer aplicar uma
experiência concreta como a nossa em locais que apresentam problemas.
Interessante foi que logo após a
essa entrevista tive a oportunidade de assistir ao surpreendente filme “E agora, onde vamos?” dirigido pela
libanesa Nadine Labaki, a qual também interpreta uma das personagens principais.
O enredo narra a história de uma pequena comunidade isolada no Líbano, rodeada
por antigas minas terrestres que jamais foram removidas, cuja única ligação com
o mundo é apenas uma precária ponte. Nessa comunidade vivem pacificamente
católicos e islâmicos, num clima de total tolerância, o qual é mantido pela
proposital não disponibilidade de sinal de TV, para que assim seus habitantes
não sejam “contaminados” pelas notícias de hostilidades entre grupos de
orientações religiosas diversas.
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Pôster do filme "E agora, onde vamos?" |
De certa forma, o modelo de vida
praticado na vila do filme de Nadine Labaki foi sugerido pelo jornalista
palestino Abdel Bari Atwan, o qual revela que a chave para o fim de todas as
desavenças está em cada um de nós, e que basta a iniciativa individual em
aceitar e respeitar o outro para que o coletivo resgate esse ideal. Obviamente
a humanidade ainda não tem essa consciência, no entanto, ideias tem que ser
lançadas como sementes para que os frutos sejam colhidos em tempos posteriores.
Se a sugestão do jornalista e a
mensagem do filme soaram como prematuros, ou até mesmo ilusórios, na discussão e
na busca de tentativa de resolução dos problemas religiosos mundiais, e
principalmente do Oriente Médio, a História já mostrou que a resistência e o
apego a dogmas e doutrinas só contribuíram para a disseminação da violência e
da intolerância; resta cada ser humano usar os bons exemplos e cultivar em si
valores como a tolerância, o desprendimento e a aceitação das diferenças, que
dessa maneira a solução para os problemas vai sendo aos poucos conquistada.
Marcelo Augusto da Silva - 24/04/2013